2015
fevereiro 4, 2020
2018
fevereiro 4, 2020

2016

CONVITE PARA ORGANIZAR E PARTICIPAR DO

FSM TEMÁTICO PORTO ALEGRE JANEIRO 2016

O Fórum Social Mundial da Saúde e da Seguridade Social – FSMSSS se constituiu como espaço temático do Fórum Social Mundial – FSM, começando no primeiro FSM em 2001 como espaço de debates sobre a saúde como direito, logo como Fórum Internacional em Defesa da Saúde dos Povos em 2002 e 2003 em Porto Alegre e em 2004 em Mumbai na Índia, constituindo-se definitivamente como fórum social Mundial da Saúde em 2005 em Porto Alegre, 2007 em Nairóbi – Quênia, 2009 em Belém do Pará, e em 2011 em Dakar Senegal, onde assume a condição de Fórum Social Mundial da Saúde e da Seguridade Social, amplitude que se afirma nos Fóruns de Túnis em 2013 e 2015, construindo uma aliança com os movimentos que lutam pelos direitos humanos e sociais no âmbito das proteções sociais / seguridade social – trabalho e emprego, previdência social e aposentadorias, assistência social, saúde, ampliando o conceito para o domínio da seguridade econômica e assim aliando-se a luta pela justiça tributária, assim como a luta pela ilegalidade da pobreza e pela defesa dos bens comuns da humanidade. Isto permitiu conceber uma seguridade social ampliada, que inclui também os direitos a agua, ao saneamento, a energia, ao transporte, a habitação, a educação, ao ambiente, a justiça e a segurança pública. Refletindo assim um conceito aplicado dos direitos humanos e sociais de forma interdependente e indissociável.

Como parte dos produtos do FSMSSS se destacam três processos fundamentais

1.       A construção de um espaço crítico de debate com governos e sociedade civil global em torno da construção de sistemas universais de seguridade social, em contraponto a hegemonia dos sistemas baseados em seguros parciais, segmentados e fragmentados, o que implica um debate fundamental com os processos de produção e distribuição da riqueza, assim como uma compreensão das proteções sociais como redistribuição da riqueza mesmo em ambientes sem crescimento econômico, atacando os cânones das políticas conservadoras de combate a pobreza e as formas atuais de securitização hegemônica tais como a cobertura universal em saúde e os pisos de proteção social, em um ambiente de austeridade beneficiando a acumulação do capital financeiro inclusive nas políticas sociais. Este espaço crítico se constitui na convocatória e realização da I Conferencia Mundial sobre o desenvolvimento de Sistemas Universais de Seguridade social realizada em Brasília em dezembro de 2010, seguindo decisão do FSMS de Nairóbi em 2007. Como sequencia desse processo mantemos a decisão de realizar uma nova Conferencia mundial nos próximos dois anos, um Conferencia Sul Americana ou Latino Americana em 2016 e lutar por uma I Conferencia Brasileira de Seguridade Social também em 2016, todas iniciativas urgentes frente aos ataques que os direitos humanos e sociais vem sofrendo inclusive por parte de governos considerados progressistas na região latino americana.

2.       Consequência do processo da Conferencia Mundial apontamos a necessidade de um amplo processo de educação política que constituísse uma rede internacional de laboratórios de políticas públicas universalistas, capazes de promover uma educação política para a transformação social, aprofundando o domínio sobre a realidade nacional, regional e global e assim empoderando os movimentos e organizações em suas capacidades de elaboração e incidência política, desenvolvendo uma luta contra-hegemônica em ambientes políticos complexos e repolitizando a luta social com vistas a organização de projetos nacionais, democráticos, sociais e populares com a aspiração de constituir novos espaços de poder através da atuação dos movimentos sociais com plataformas estratégicas convergentes, evitando a fragmentação de lutas proposta pela hegemonia conservadora. Esta iniciativa teve uma primeira etapa desenvolvida em países da América do Sul e Norte da África com objetos e potenciais diferentes conforme as oportunidades mas começando a construir um conceito de educação e luta político ideológica, como espaço público onde convergem diferentes conhecimentos e capacidades de mobilização e projetos políticos. O desenvolvimento da Rede de Laboratórios de Políticas Públicas Universalistas – LAPPUS REDE segue sendo uma aspiração maior do FSMSSS.

3.       Como consequência do anterior, constituímos uma Plataforma Eletrônica que está substituindo a antiga página do FSMSSS, com a ambição de dar apoio a rede de Laboratórios LAPPUS REDE e desenvolver um Observatório da Conflitividade em Saúde e Seguridade Social, ambas iniciativas em 4 línguas – português, espanhol, inglês e francês, mas cujo funcionamento depende agora de constituir uma rede de organizações que alimente com conhecimento – informações e análises sobre a realidade e configurem a base cognitiva da ação política transformadora no campo das proteções sociais / seguridade social, procurando superar a fragmentação e a alienação dos sistemas dominantes de educação e informação. Estão todos convidados a participar desta construção.

Finalmente queremos convidar a todas e todos a participarem do Fórum Temático de Porto Alegre que se desenvolverá de 19 a 23 de janeiro de 2016, comemorando os 15 anos do FSM e de nosso espaço de saúde e de seguridade social, com a intenção no caso de nosso FSMSSS de fazer uma balanço desses 15 anos e projetar a pertinência e vitalidade do FSMSSS para os próximos anos, considerando as linhas de trabalho em cursos e outras que se façam necessárias na complexa realidade que vivemos, considerando a maneira que devemos organizar nossas relações e decisões para podermos avançar.

Uma abordagem crítica e contra-hegemônica propositiva frente a realidade nacional, regional e global em matéria de proteções sociais / seguridade social em tempos de austeridade e hegemonia conservadora será o exercício a ser realizado em janeiro.

O espaço do FSMSSS em Porto Alegre 2016 ainda está em construção, suas propostas e protagonismo são muito necessárias, temos até o dia 20 de dezembro para construirmos uma agenda para os debates e atividades, aguardamos suas contribuições e adesão a comissão organizadora.

Entre em contato com Armando De Negri no e-mail denegrifilho1516@gmail.com ou com Kássia Fernandes de Carvalho kfernandes77@gmail.com

 

Armando De Negri Filho

Coordenador do Comitê Executivo

Fórum Social Mundial da Saúde e Seguridade Social

Agenda Geral do FSMSSS

O FMSSS desenvolverá em Porto Alegre entre os dias 20, 21 e 22 de janeiro, discussões organizadas em três blocos sucessivos, divididos em sessões com apresentações de 10 minutos sucedidas por debates em cada sessão.

No dia 20.01.16 em um primeiro bloco de debates começaremos por compor um panorama da hegemonia conservadora em torno à seguridade social e as agendas e mecanismos que esta hegemonia vem desenvolvendo tanto em escala mundial como em escala regional e local, No contexto desta análise de conjunturas e contextos queremos explorar as maneiras de caracterizar e enfrentar a hegemonia conservadora expressa nas narrativas sobre o combate a pobreza com caráter focalizador, a seguridade social vinculado ao trabalho contributivo e o ataque ao conceito de bens públicos expressos na lógica do mercado, contrapondo os conceitos de ilegalidade da pobreza, a afirmação dos bens comuns da humanidade e de sistemas universais de seguridade social, sustentados por sistemas tributários progressivos e serviços públicos de uso universal.

Sessões

1-Introdução geral do Fórum da Saúde e da Seguridade Social e projeções dos seus produtos na luta a seguir / Armando De Negri Filho FSMSSS / RBCE

2-Panorama Internacional suas linhas de resistência e de construção contra hegemônica

Francine Mestrum – Global Social Justice e FSMSSS – Bélgica.

Aziz Rhali – Rede Marroquina pelo Direito a Saúde e Fórum de Direitos Humanos do Magreb. FSMSSS – Marrocos.

Erika Arteaga – Alames Ecuador / Laboratorios de Políticas Públicas Universalistas. Revolución ciudadana, participación y criminalización de la lucha social.

Juan Cuvi  (DONUM / Plataforma por el Derecho a la Salud). Construcción de contrahegemonía al capital. Privatización de la salud en el Ecuador.

Manuela Villafuerte Merino (Red de Género de ALAMES / Movimiento de Mujeres de Sectores Populares Luna Creciente/ Plataforma Nacional por los Derechos de las Mujeres.

Retrocesos en derechos de las mujeres en Ecuador:  Alternativas y resistencias.

Participaçao via vídeo da CSA – Confederación Sindical de Trabajadores/as de las Américas

 

3-Panorama nacional brasileiro e as lutas de resistencia e alternativas na construção da contrahegemonia no campo da seguridade social.

Maria do Socorro de Souza. Ex-presidente do CNS – Conselho Nacional de Saúde do Brasil.

Madalena Margarida da Silva – Secretária Nacional de Saúde do Trabalhador da CUT. Maria de Fátima Veloso Cunha – Secretária Nacional Adjunta de Saúde do Trabalhador da CUT.

Carlos Botazzo – Associação Paulista de Saúde Pública – APSP e Faculdade de Saúde Pública da USP.

Maria Laura Bicca – Federação Nacional dos Assistentes Sociais – FNAS.

 

No dia 21.01.16, em um segundo bloco de debates iremos examinar as estratégias de educação / ação políticas necessárias para desenvolver capacidades na sociedade civil, na sociedade política e no estado para poder promover políticas sociais transformadoras.

Sessões

1-A iniciativa do FSMSSS para a conformação de uma rede de laboratórios de políticas públicas universalistas e suas projeções em outras iniciativas

Armando De Negri Filho – Brasil

Francine Mestrum –  Global Social Justice e FSMSSS – Bélgica.

Aziz Rhali – Rede Marroquina pelo Direito a Saúde e Fórum de direitos Humanos do Magreb. FSMSSS – Marrocos.

Erika Arteaga – Alames Ecuador / Laboratórios de Políticas Públicas Universalistas.

 

2-Iniciativas e propostas na Educação Política para a Universalidade dos Direitos e das Proteções Sociais no Brasil

Carlos Botazzo – Associação Paulista de Saúde Pública – APSP e Faculdade de Saúde Pública da USP – São Paulo.

Katia Souto – Diretora do departamento de Apoio a Gestão Participativa do Ministério da Saúde – DAGEP/MS.

Madalena Margarida da Silva – Secretária Nacional de Saúde do Trabalhador da CUT.

Maria de Fátima Veloso Cunha – Secretária Nacional Adjunta de Saúde do Trabalhador da CUT.

GHC / Porto Alegre – RS.

Alcides Miranda – ABRASCO e UFRGS.

Maria Laura Bicca – Federação Nacional dos Assistentes Sociais – FENAS.

2-Uma iniciativa de Pesquisa Ação para a garantia dos direitos humanos nos serviços de urgências Armando De Negri Filho – RBCE. O trabalho inspirador dos direitos humanos nas urgências da Irlanda do Norte e suas projeções no Brasil na Campanha dos Direitos Humanos nas Urgências da rede Brasileira de Cooperação em Emergências – RBCE.

Mauricio Stédile – Rede de Médicos Populares e RBCE.

Ricardo Kuchenbecker – HCPA.

No dia 22.01.16 em um terceiro e último bloco estaremos examinando os próximos passos em termos de atividades e projetos estratégicos que possam ser trabalhados conjuntamente no âmbito nacional e regional, particularmente na ocupação política dos espaços como UNASUR e MERCOSUL e projetando a I Conferencia Nacional de Seguridade Social no Brasil e a I Conferencia Sul Americana em Apoio ao Desenvolvimento de Sistemas Universais de Seguridade Social, além de discutirmos as formas de participação junto ao FSMSSS no marco do próximo FSM em Montreal Canadá em agosto de 2016.

Sessões

1-Projeção internacional das Conferencias

Denise De Rocchi – professora e mestre em Relações Internacionais, Coordenadora do Curso de RI do Centro Universitário Ritter dos Reis – Uniritter – Campus Porto Alegre. A agenda social no processo de integração regional e o papel da sociedade civil e do Brasil.

Armando De Negri Filho – FSMSSS e RBCE – Brasil. Histórico dos processos de conferencia de saúde e seguridade social e sua vigência no cenário nacional e internacional.

Francine Mestrum – Global Social Justice e FSMSSS – Bélgica. Relevância das iniciativas de Conferencia para a realidade europeia.

Aziz Rhali – Rede Marroquina pelo Direito a Saúde e Fórum de Direitos Humanos do Magreb. FSMSSS – Marrocos. A conferencia / fórum de sistemas universais do Magreb em 2016.

Erika Arteaga – Alames Ecuador / Laboratórios de Políticas Públicas Universalistas. Sobre a importância de uma conferencia sul-americana.

2-Sobre a conferencia nacional brasileira de Seguridade Social

Madalena Margarida da Silva – Secretária Nacional de Saúde do Trabalhador da CUT. Maria de Fátima Veloso Cunha – Secretária Nacional Adjunta de Saúde do Trabalhador da CUT.

Alcides Miranda – ABRASCO e UFRGS.

Maria Laura Bicca – Federação Nacional dos Assistentes Sociais – FENAS.

Ronald Ferreira dos Santos – Presidente do CNS Conselho Nacional de Saúde do Brasil.

Informe de resoluções do Fórum Social Mundial da Saúde e da Seguridade Social reunido em Porto Alegre – RS – Brasil, de 20 a 22 de janeiro de 2016.

 

Durante a atividade realizada entre os dias 20 , 21 e 22 de janeiro de 2016, no marco do Fórum Social Temático na Cidade de Porto Alegre – RS, o Fórum Social Mundial da Saúde e da Seguridade Social adotou as seguintes resoluções, dando seguimento a decisões anteriores e que apontam as seguintes iniciativas:

  1. Mobilização para a realização da I Conferencia Nacional de Seguridade Social em 2016, dando materialidade a decisão adotada pelo Seminário Nacional Preparatório (2009) para a I Conferencia Mundial sobre o Desenvolvimento de Sistemas Universais de Seguridade Social e apontando o que determinou a Constituição Federal de 1988 ao definir a criação de um Conselho Nacional de Seguridade Social.

 

  1. Mobilização para a realização da II Conferencia Mundial sobre o Desenvolvimento de Sistemas Universais de Seguridade Social no final de 2017 ou no primeiro semestre de 2018 no Brasil ou em outro país da América do Sul, precedida de uma I Conferencia Sul-americana de Universalização da Seguridade Social no âmbito da integração regional promovida pela UNASUL, MERCOSUL e CAN no início de 2017, com indicativo de sua realização no Uruguai ou no Chile.

 

Para o início da mobilização proposta ficou indicada a realização de uma primeira reunião preparatória na segunda quinzena de abril.

As entidades presentes: CNS, CUT, FENAFAR, ABRASCO, APSP, ALAMES, Rede de Médicos Populares, RBCE, FENAS, Global Social Justice, ALAMES Equador e Rede Marroquina pelo Direito à Saúde, assim como o DAGEP/MS, GHC e a Secretaria da Presidência da República, dentre outros participantes, se comprometeram a mobilizar suas organizações e seus pares para difundir, discutir, coordenar e sustentar as iniciativas.

 

A Representação da Federação Nacional dos Assistentes Sociais em conjunto com os companheiros do RS, ficaram encarregados de fazer uma primeira discussão com o Ministro Rossetto para tratar do assunto. Certamente teremos que superar a ameaça de impeachment para podermos avançar de forma plena em nossas tratativas, posto que elas representam justamente a mobilização social que pode garantir o protagonismo necessário dos trabalhadores e da sociedade em defesa de suas conquistas e dos avanços que necessitamos

 

Antecedentes:

A I Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento de Sistemas Universais de Seguridade Social, foi convocada por Decreto Presidencial em 24 de maio de 2010, presidida pelo Ministro de Estado da Saúde e vice-presidida pelos Ministros de Estado da Previdência Social, do Trabalho e Emprego e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e foi realizada em dezembro de 2010 em Brasília, seus objetivos foram, dentre outros, permitir diálogo equitativo entre governos, instituições acadêmicas, agências intergovernamentais, movimentos populares, sociais, sindicais e de trabalhadores em geral, sobre o desenvolvimento de sistemas universais, integrais e equitativos como alternativa válida, ética e factível no processo de reformas nacionais e nos processos de integração regionais. A proposta de realizar a Conferencia nasceu no II Fórum Social Mundial da Saúde e Seguridade Social – FSMSSS (fórum temático do FSM) realizado em Nairóbi em 2007 e foi acolhida pelo Governo Brasileiro mediante demanda do Conselho Nacional de Saúde, tendo sido lançada no FSM de Belém do Pará em 2009.

 

A I Conferencia Mundial “teve como debate essencial o universalismo da seguridade social, compreendida no campo dos direitos humanos, reafirmando como seus princípios irrevogáveis a universalidade, a equidade e a integralidade e opondo-se aos discursos e às práticas de mercantilização das políticas sociais” (BRASIL, 2012a, p. 18).

Para o Coletivo de organizações nacionais e internacionais agrupadas em torno ao Fórum Social Mundial da Saúde e da Seguridade Social – FSMSSS e que promoveram a I Conferencia Mundial é importante dar continuidade ao debate sobre “temas relacionados ao desafio de desenvolver, em todos os continentes, sistemas universais de seguridade social, como instrumentos da proteção social, num contexto histórico em que esta última se confunde com a própria noção de democracia” (BRASIL, 2012a, p. 14).

No plano nacional, mediante a realização de uma I Conferencia Nacional de Seguridade Social, a contribuição do debate é no sentido da consolidação de uma visão histórica comparativa sobre os processos políticos e custos de transição para um sistema de proteções sociais no Brasil, compondo uma narrativa que integre os importantes avanços conquistados nos últimos doze anos na universalização da seguridade social mediante a consolidação do sistema universal de saúde, a ampliação e fortalecimento da previdência contributiva e não-contributiva, a proteção do emprego formal e do poder de compra do salário mínimo, a ampliação da assistência social mediante Bolsa Família e o SUAS, a ampliação do acesso e qualidade da educação básica e superior, os esforços de profissionalização e emprego de jovens, o apoio a agricultura familiar, o acesso ao crédito, o acesso a casa própria e a energia elétrica, o esforço de gerar espaços políticos participativos, dentre outras políticas e iniciativas que aplicando a Constituição de 1988 constroem um sistema de proteções sociais potente mas ainda desconhecido pela população brasileira tornando-o frágil frente aos ataques dos setores conservadores e comprometidos com o neoliberalismo.

Conforme o documento final do Seminário Nacional de 2009 apontou-se que “No âmbito nacional, a realização de uma conferência nacional de seguridade social, a organização de conselhos, assim como a inédita e transformadora criação de um espaço transetorial de lutas sociais são caminhos que buscarão consolidar a extraordinária conquista que foi a realização deste Seminário Nacional. Conclamamos as cidadãs e os cidadãos do Brasil e do Mundo a somarem conosco nesta luta por uma Seguridade Social integral e universalizada como marco de uma nova inflexão civilizatória e para a construção de um mundo justo e humano, formulando uma agenda política nacional e mundial que contribua para a superação da crise social sustentada e da crise econômica atual, apostando na construção de sistemas universais e integrais de proteção social.”

Internacionalmente, a disseminação da experiência brasileira é relevante como elemento de referência em seus acertos, erros e potencialidades para os processos de outros países, como parte de uma análise comparativa internacional histórica e contemporânea.

A 1ª Conferência Mundial, “ao viabilizar um espaço plural de diálogo reflexivo”, inaugurou:

em nível internacional, uma nova dinâmica democrática entre os setores governamentais e não governamentais no campo da seguridade social, prospectando a possibilidade de construção e aprimoramento deste sistema. Para isso, indicou-se que este debate se transforme em agenda política, permanente e prioritária, em âmbito nacional e internacional; numa perspectiva que supere a tendência de fragmentação entre os diferentes segmentos da sociedade e das áreas especializadas dos governos (BRASIL, 2012a, p. 19-20).

A realização da 1ª Conferência Mundial (…) simbolizou um marco na construção de um espaço de diálogo em condições equitativas, entre governos e sociedade civil, pela universalidade do direito à seguridade social, nos âmbitos nacional e internacional.

A ideia de aprofundar o tema da seguridade social por meio de uma conferência começou a se materializar durante o II Fórum Social Mundial da Saúde (FSMS), realizado em Nairóbi, Quênia em 2007, e se concretizou no III FSMS, em Belém do Pará, Brasil, em 2009, quando a 1ª Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento de Sistemas Universais de Seguridade Social foi lançada oficialmente pelo Governo Brasileiro, por meio do Ministério da Saúde (MS), com o apoio dos Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), da Previdência Social (MPS) e do Trabalho e Emprego (MTE).

O sucesso desta 1ª Conferência Mundial, que contou com participantes provenientes de 111 países, representa uma conquista social global e um passo largo na consolidação democrática do Brasil ao promover espaços de debate entre governos, organismos intergovernamentais e não governamentais. Representa, também, a histórica criação de um espaço de encontro de governos visando se alinharem para responder às necessidades sociais, aprendendo mutuamente inclusive as estratégias políticas que materializam a universalização. Mas, de modo inovador, esta primeira conferência mundial foi além, proporcionando um espaço de encontro, intercâmbio e unidade dos movimentos sociais e populares de diversos países pela seguridade social e o fortalecimento e ampliação de coalizões internacionais. (BRASIL, 2012a, p. 12-13)

O debate promovido na 1ª Conferência Mundial ganhou força nacionalmente na 14ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em Brasília, no período de 30 de novembro a 4 de dezembro de 2011. A seguridade social foi um eixo fundamental da 14ª CNS, que teve como Tema “Todos usam o SUS! SUS na Seguridade Social, Política Pública e Patrimônio do Povo Brasileiro”. Entre as propostas da Diretriz 1: Em Defesa do SUS – Pelo Direito à Saúde e à Seguridade Social, destaca-se a Proposta 34, que propõe a realização da “1ª Conferência Nacional de Seguridade Social, com vistas à construção de um sistema de seguridade social brasileiro, integrando as ações de saúde, seguridade e previdência” (BRASIL, 2012b, p. 18).

No contexto internacional, o debate gerou um conjunto de demandas de apoio à formulação de um sistema de seguridade social aplicada no âmbito dos diferentes países emergentes. Essas demandas foram discutidas pelos movimentos sociais reunidos no IV Fórum Social Mundial de Saúde e Seguridade Social, realizado em Dakar/Senegal, no período de 3 a 6 de fevereiro de 2011. Como encaminhamento, foi aprovada a iniciativa de se apoiar o desenvolvimento de uma rede de laboratórios de políticas públicas universalistas, como estratégia de intercâmbio orientado ao fortalecimento da perspectiva universalista no marco dos debates políticos e econômicos de cada país. No período 2012 – 2014 por meio de um projeto via PROADI SUS (através da SGEP / MS em parceria com o LIGRESS HCor) com execução do coletivo do FSMSSS nos vários países) foi desenvolvida a rede de laboratórios na América do Sul e Norte da África, com debates na Ásia e Europa, assim como se desenvolveu uma plataforma eletrônica de apoio aos laboratórios e um observatório da conflitividade social em torno da universalização da seguridade social – este processo visa empoderar a sociedade e civil internacional e nacional em torno aos debates de uma seguridade social como direito humano e social. Igualmente desenvolveu-se uma pesquisa sobre a transição ao universalismo da seguridade social nos países de economias emergentes – Brasil, África do Sul, Tailândia, Indonésia, Índia, China, Rússia, Venezuela e Equador, em parceria com o Instituto das nações Unidas para a Pesquisa em Desenvolvimento Social – UNRISD. O objetivo do estudo foi criar subsídio para a pauta de uma II Conferencia Mundial de sistemas universais, colocando foco nos processos de transição política, social e econômica ao universalismo. O lançamento da edição em inglês e português dos estudos se realizará em 2016.

Ainda, no Fórum de Dakar 2011, registrou-se que há a expectativa de que a sociedade civil brasileira, e o governo brasileiro, desempenhem um papel fundamental no sentido de fazer avançar a iniciativa de realização da 2ª Conferência Mundial para fortalecer o impulso dado ao debate internacional, tal expectativa foi reiterada nos Fóruns de Túnis em 2013 e 2015.

Nesse sentido, representantes de movimentos sociais membros do Comitê Executivo do FSMSS, se reuniram com o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no dia 5 de julho de 2012, na Sede do Ministério da Saúde em Brasília-DF, para, entre outros itens, discutir sobre a realização da 2ª Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento de Sistemas Universais de Seguridade Social, sem que tenha se obtido um posicionamento do Governo Federal sobre essas iniciativas.

A idéia da rede de laboratórios e do uso da Plataforma em seu apoio foi bem recebida pelos participantes do evento em Porto Alegre, com a intenção de usar esta rede para mobilizar o debate e a educação política para as políticas universalistas, que permita construir uma narrativa de defesa dos avanços obtidos no último período histórico, projetando uma maior potencia das proteções sociais no próximo período, combatendo as políticas de austeridade e de restrição de direitos e aprofundando o universalismo com capacidade redistributiva da riqueza, produzindo a justiça social que justifica e fortalece a democracia.

Nossa intenção imediata é retomar o diálogo com o Governo com o objetivo de viabilizar a Conferencia Nacional e a II Conferencia Mundial, para tanto os representantes do Comitê Executivo do FSMSSS, incluindo representantes da ISP, CUT, DIEESE, Conselho Nacional de Saúde, estão disponíveis para estabelecer o debate em torno a estratégia a seguir.

Armando De Negri Filho em nome do Comitê Executivo do FSMSSS

FSMSSS 10.04.16

 

 


Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Relatório final da 1ª Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento de Sistemas Universais de Seguridade Social / Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 662 p.: il. – (Série D. Reuniões e Conferências)

BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Relatório final da 14ª Conferência Nacional de Saúde: todos usam o SUS: SUS na seguridade social: Política pública, patrimônio do povo brasileiro / Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 232 p. – (Série C. Projetos, Programas e Relatórios). Disponível em <http://www.conselho.saude.gov.br/14cns/docs/Relatorio_final.pdf>. Acessado em 23 de nov. de 2012.

 

PARTICIPANTES

 

NOME ORGANIZACAO EMAIL/TELEFONE
Debora Melecchi Sindifars dmelecchi@gmail.com
Manuela M. Luna Cresciente/ Alames perdidaen@yahoo.es
Adelir da Veiga Fenafar adelir@fenafar.ogr.br
Mariana de Roja Martins Mov pela saúde dos povos marianarmartins@gmail.com
Rina Abrego Foro Nacional de Salud rieabrego@gmail.com
Socorro Souza Conselho nacional de saúde socorro.souza@friocruz.br
Horacio Barri Unc/mosis horaciobarri@yahoo.com.br

 

Maria Laura Carvalho Bicca Conselho nacional saúde/fenas mlaurafenas@gmail.com
Camila Gigliani UFRGS/ MSP giugli@hotmail.com
Rafaela De Negri UFRGS rafadenegri@yahoo.com.br
Alcides Miranda ABRASCO/UFRGS alcides.miranda@ufrgs.br
Lavinia Magalhaes Fenafar – CE laviniamaia.ce@gmail.com
Eliane Araujo Simes Fenafar – BA elianesimes@uol.com.br
Joaquim Kliemann GHC/HCR jd.kliemann@hotmail.com
Ricardo K FAMED/UFRGS rsk@hcpa.en.br

 

Rui Moreira CNS ruimoreira@ncstmg.org.br
Mario Jorge S. Filho CNS/CNTS mariojorgefilho@yahoo.com.br
Ana Rosa Garcia da Costa CNS/CAFIN/CUT agaco@ig.com.br
Maria de Fatima Veloso CUT fatimavcunha@gmail.com
Neuza Raupp UFRGS/SC neuzaraupp@gmail.com
Fabio Barilio Fenafar barilio.fabio@hotmail.com
Juliana Acosta CONTAG/CNS juliana@contag.or

 

Amanda De Negri FAMED/UFRGS amanda_negri@hotmail.com
Grazielle Custodio CEBES grazifisio3@hotmail.com
Madalena Margarida da silva CUT madalenamsilva@yahoo.com.br
Rosana Maffuciolli UFRGS rosanamaffuc@yahoo.com.br
Tania Murgo Foro Nacional de Salud taniamurgas5@yahoo.com
Mauricio Stodele RBCE mastedile@gmail.com
Fernanda Mogano FENOPSI/SINPSI-SP fernandamogano@yahoo.com.br
Haroldo Pondes CONDSS/CNS haroldopondes@

 

Juan Curi Equador curijuan@yahoo.es
Erika Arteaga Alames Equador erikarteaga@yahoo.com
Patricia Robison MSP – Brasil patriciagrobison@gmail.com
Maria Juliana M. Correa SMS mjulianamc@gmail.com
Aziz Rhali CDSM aziz_rhali@yahoo.com.fr
Uddhab Pyakurel Nepal upyakurel@gmail.com
Vitória Schitt Cicemen UFRGS vitoria.sziz@gmail.com
Kenia Gensi CEAP keni_censi@hotmail.com

 

Kátia Souto SGEP/MS katia.souto@saude.gov.br
Eloir Antonio Vial Secretaria da saúde de canoas eloir.vial@canoas.rs.gov.br
Gerci S Rodrigues SMS CANOAS gercirodrigues@gmail.com
Inque Schneider FETAG inque.scheneider@bol.com.br
Mauricio Sarmento CES/AZ sindas-al@hotmail.com
Liane  j. de Araujo oliveira CNS lianearaujo@gmail.com
Geronimo da Silva CES/AL gelsilva90@hotmail.com
Cleoneide CNS cleo_sbf@yahoo.com.br

 

Genovena Maria Flach FENAS genoflach@hotmail.com
Selvino Hecck Secretaria da presidência da republica do Brasil selvino.heck@presidencia.org.br
Nathália Sigilló Cardoso USP Ribeirão Preto nsigillocardoso@gmail.com
Francine Mestrum Global social justice mestrum@skynet.be
Armando De Negri FSMSSS – RBCE armandodenegri@yahoo.com
Carlos Botazzo APSP / FSP USP botazzo@usp.br
Ines B. Schewantes APSP/FSP USP iperuch@caxias.rs.gov.br