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2007

II Fórum Social Mundial da Saúde: A Saúde na África: o Espelho do Mundo

Nairóbi/Quênia, 20-25 de janeiro de 2007.

 

(VII Fórum Social Mundial. Nairóbi/Quênia, 20-25 de janeiro de 2007. Primeiro FSM mundial no continente africano.)

II Fórum Social Mundial da Saúde: A Saúde na África: o Espelho do Mundo

Nairóbi/Quênia, 20-25 de janeiro de 2007

Debateu a situação do direito à saúde no continente africano e afirmou que “A Saúde na África é o Espelho do Mundo”.

A realização de uma conferência mundial para discutir os “Sistemas Universais, Integrais e Equitativos de Saúde” foi uma das principais propostas apresentadas no II Fórum Social Mundial da Saúde. O Brasil foi o país indicado para a realização dessa conferência, em 2008, marcando os 20 anos de SUS.

Representantes de mais de 30 países estiveram reunidos discutindo as condições de saúde no mundo e o que pode ser feito para garantir o acesso ao atendimento e a medicamentos. O Brasil e a Índia estão sendo pressionados pela OMC (Organização Mundial do Comércio) para pararem de produzir medicamentos genéricos. A Índia já foi, inclusive, proibida pelo Banco Mundial de produzir seus próprios medicamentos.

Denúncias como esta esquentaram os debates do FSMS que aprovou também as seguintes propostas:

1)Realização de uma campanha mundial pelo direito dos povos à saúde e aos serviços sanitários;

2)Realização de uma campanha mundial para que os países ricos parem de utilizar materiais tóxicos e produtos que afetam a saúde das pessoas em todo o mundo e que destroem o meio ambiente;

3)Mobilização internacional contra o monopólio das patentes de medicamentos nas mãos de empresas multinacionais, com o desafio de provocar a redistribuição dos recursos que se encontram acumulados na indústria farmacêutica;

4)Uma ampla campanha educativa, informativa e de prevenção, em toda a África, para evitar o avanço da AIDS (mais de 15% da população do continente é soropositiva); campanha que tenha o apoio concreto e efetivo dos países comprometidos com essa problemática.

As discussões realizadas no II FSMS permitiram compreender um pouco as razões pelo qual o povo africano está sofrendo com condições tão precárias de saúde: a maioria dos governos não gasta mais de que 3% do Orçamento com o setor. Como consequência, de 2001 a 2006, mais de 8 milhões de africanos morreram por doenças tratáveis como tuberculose, desnutrição e malária. Uma das decisões do Fórum foi lançar uma campanha continental pela destinação imediata de 15% do Orçamento dos países para a saúde. A Aliança Africana pela Saúde propôs também a independência do continente em relação a governos e agências internacionais, conquistando autonomia na luta contra a AIDS, podendo usar dos métodos e ferramentas próprias da África.

A condição de saúde da mulher também foi longamente debatida em várias oficinas realizadas durante o Fórum. As africanas sofrem os maiores efeitos da crise na saúde, vivendo ainda situações de violência e desnutrição. A Rede Feminista do Brasil propôs uma aliança para a constituição de uma convenção internacional com direitos sexuais e reprodutivos.

O II Fórum produziu resultados importantes para a continuidade da luta por uma saúde de qualidade para os povos. Entre eles o fortalecimento das redes e movimentos que trabalham com saúde e a proposição de uma agenda internacional de promoção do direito à saúde contra a lógica neoliberal de privatização e desmonte dos sistemas de seguridade públicos.